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Cliente e agente de turismo casam e fundam agência de viagens
Rubem, Ketty e os filhos Caio e Rubinho. (Arquivo Pessoal)

Cliente e agente de turismo casam e fundam agência de viagens

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Todos que trabalham com vendas tem uma má experiência para contar. Seja um cliente difícil, que dá trabalho ou até mesmo grosseiro, é preciso ter jogo de cintura para lidar com a situação e dar a volta por cima. Foi desta forma que Ketty Brocker e Rubem Christ Junior se conheceram. Enquanto ela trabalhava como agente de viagens, Rubem precisou de um serviço e reclamou pela demora no atendimento. Tempos depois, ele apareceu novamente na agência e se tornaram amigos. Foi questão de tempo para a paixão acontecer e hoje, após 13 anos de casamento, os dois comandam a Business Line, uma agência de viagens e turismo que possui três lojas, que também possui foco em viagens empresarias e incentivo em sua matriz, cujo objetivo é melhorar e fomentar relacionamentos.“A Ketty e eu somos criadores de oportunidades e consolidadores de sonhos”, detalha Rubem.
Confira a entrevista de A Magia do Mundo dos Negócios com Ketty Brocker Christ , diretora da Business Line:

Como e quando se conheceram/iniciaram a relação

Esta história é maravilhosa. Acredito que os “cosmos” muitas vezes nos conduzem a um caminho único, sem nosso planejamento ou consentimento. Apesar de ter cursado universidade de Arquitetura e Engenharia Civil, foi trabalhando em turismo que encontrei a minha profissão e realização. Depois de trabalhar em algumas agências de viagem aprendi o caminho e, em 1994 abri a minha própria agência . Naquele tempo a prospecção de clientes era bem mais difícil.
Como começar uma carteira de clientes numa sala de fundos, no 5º andar de uma rua tranquila da cidade? Fiz o seguinte: me associei a ADVB (Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas do Brasil) de forma a poder participar das reuniões, almoços e conhecer empresários, fazer networking e conseguir o mailing desta associação.
Na mesma semana mandei uma mala direta a todos com oferta de viagem a Nova York. Duas semanas se passaram e ninguém me respondeu, exceto uma única pessoa, o Junior que morava em outra cidade, próxima a Porto Alegre. Fiquei hiper feliz ao atender o telefone e ver que se tratava de um possível primeiro cliente vindo de minha primeira ação de marketing. No minuto seguinte fiquei triste, pois este mesmo senhor me pediu locação de um motor home na Europa para tentar recompor seu casamento que estava a acabar. Não fiquei triste pelo seu fracasso no casamento, mas porque sabia que eu não conseguiria tal produto. Naquele tempo de internet discada, de poucos sites, nem me lembro se o Google existia, somente consegui informações sobre os veículos disponíveis para locação na Espanha após três semanas. Liguei imediatamente para o sr. Junior que me tratou muito mal ao telefone dizendo que eu tinha demorado muito com a resposta e que até já tinha se separado…. Que grosso este cara … meu único cliente da mala direta era um grosso. Mas não é que duas semanas se passaram e ele  me liga? Meu Deus, o que será que ele quer agora? Mesmo tendo me xingado, porque iria novamente procurar meus serviços? Só falou ao telefone que iria até a agência comprar uma passagem aérea. Foi de bicicleta, chegou suado, mas acabamos amigos, ele diz que resolveu casar comigo naquela exata hora e, depois de quatro anos, eu me apaixonei também. Não virou meu cliente, mas casei com ele!

O que faziam na época?

Eu estava abrindo minha empresa de viagens e o Junior trabalhava em sua empresa de autopeças.

Rubem e Ketty possuem uma agência de viagens e turismo. (Arquivo Pessoal)
Rubem e Ketty possuem uma agência de viagens e turismo. (Arquivo Pessoal)

E como surgiu seu negócio?

Temos uma agência de Viagens e Turismo, hoje, muito mais turismo. Após ter trabalhado para outras agências durante 10 anos, tive a coragem de abrir a minha própria empresa. Meu pai me ajudou me emprestando uma grana para eu comprar uma sala comercial, eu pedi umas cadeiras velhas emprestadas para minha mãe, mandei fazer um tampo de mesa bem grande para colocar em cima de dois pés de cimento e instalei um telefone, naquela época bem caro, quase R$ 3 mil. Era julho e em dezembro do ano seguinte eu já tinha mobiliado toda a sala, móveis, computadores, fax, frigobar, e, melhor de tudo, já havia devolvido todo o valor ao meu pai, 25 mil dólares.
Fantástico mesmo foi, no ano seguinte, poder agradecer a meus pais tamanha ajuda e confiança, os presenteando com uma viagem de 30 dias por Estados Unidos e Europa.
Já o Junior, com a entrada de carros estrangeiros no país viu seu ramo de autopeças enfraquecer, tentou trabalhar com lotéricas, abriu algumas, mas rapidamente, após vários assaltos, viu que não viveria muito neste ramo.
Ao mesmo tempo que procurava um lugar ao sol, ele organizava grupos de até 300 pessoas para feiras de autopeças em São Paulo e usava logicamente os serviços de minha agência. Gostou tanto que entrou como meu sócio para abrir filiais em shoppings.
Nosso papel sempre foi um só, desde o início até hoje, encontrar clientes e vender, nos relacionar e vender, criar produtos diferenciados, levantar cedo e dormir tarde, muito trabalho, hoje somos um casal on-line . Hoje mesmo instalei um chat do site da Business no meu celular.

Quais são os números atuais?

Hoje temos três lojas, matriz e duas filiais em shoppings. Eu, Junior e mais três funcionárias fazemos o atendimento.

Quais são os planos para o futuro tanto em relação ao negócio quanto em relação aos dois?

Pensamos que o futuro é amanhã, semana que vem, o mundo muda muito rápido. Toda hora temos que mudar o jeito de vender.
As vendas dependem dos relacionamentos e as novas tecnologias da internet mudam a toda hora como as pessoas compram.
O sonho para o futuro? Continuar viajando, talvez um dia de Motor Home (risos).

Acreditam que empreender em conjunto é uma vantagem? Por que?

Não entendo como vantagem, pois não comparo com outra situação. Entendo como felicidade o que a vida apresentou pra nós e que fez a gente se amar, amar o que fazemos e vivermos tão felizes com objetos e objetivos comuns. Nossos dois filhos, a meu pedido durante as gestações, nasceram na sexta-feira a noite e segunda já estavam comigo no escritório, pois eu não tinha licença maternidade.
Os amamentei durante cinco anos e hoje, com 12 e 14 anos, já fizeram muitas viagens conosco, a lazer ou a trabalho. Já sabem da importância de conhecerem outras nações, outras culturas e idiomas e se tornarem cidadãos do mundo. Eles me enchem de orgulho!!!

Qual é o maior desafio quando o assunto é empreender em casal?

Não temos nenhum problema de gestão. Um faz mais uma coisa , outro faz mais outra coisa, mas somos como partes de um mesmo carro que segue pela estrada. Mesmo sentido, mesma vontade de chegar, mesma vontade de parar para um café ou um jantar romântico.
Nosso maior desafio é nunca deixar a peteca cair. Se alguém deixa cair algum dia , o outro vai lá e pega. Simples assim.

Qual sua mensagem para os empreendedores que estão iniciando na carreira?

Eleja três prioridades e NUNCA pare de olhar onde VOCÊ quer chegar. Visualize-se ali o tempo todo. Não perca tempo com o que não interessa ou com pessoas que não te agregam nada, muito menos com pessoas que não acreditam em nada. Acorde feliz, durma feliz e agradeça sempre a Deus ou ao Cosmos. Trate seu cliente MUITO bem, se interesse de verdade pela felicidade dele, faça dele seu amigo.

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