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Do desemprego à 8 milhões de visualizações no LinkedIn, conheça Flavia Gamonar

Do desemprego à 8 milhões de visualizações no LinkedIn, conheça Flavia Gamonar

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Muitas vezes uma carreira sólida pode vir por água abaixo após uma demissão inesperada. Mas, como muitas coisas que dão errado na vida, é possível que algo ainda melhor venha depois.

Foi o que aconteceu com a bauruense Flavia Gamonar, 32, que logo após obter seu mestrado, foi surpreendida por uma demissão em massa na empresa em que trabalhava no setor de marketing. Felizmente, ele conseguiu um novo emprego, mas a segurança já não era a mesma, então passou a se especializar constantemente, expandir seus contatos, e, ainda encontrou tempo para escrever artigos sobre sua especialidade no LinkedIn.

E foi a plataforma que lhe abriu portas para o empreendedorismo, assunto que tanto falava, mas ainda não tinha provado na prática. Hoje, Flavia atua como professora universitária e de pós-graduação, tem duas empresas, a Hubico.com.br focada em produzir conteúdos para marcas e implementar inbound marketing e a Content Review Brand Yourself, com uma amiga, focada em criar ou otimizar conteúdos para ajudar a alavancar a carreira de profissionais. Tudo isso conciliado com o doutorado e, claro, seu perfil no LinkedIn, que já chegou a 8 milhões de visualizações e rendeu a posição de 4ª brasileira a ter maior destaque na plataforma.

A Magia do Mundo dos Negócios conversou com Flavia Gamonar, que contou um pouco sobre sua rotina, o LinkedIn, gestão de tempo, home office e muito mais, confira:

Pode contar um pouco de sua carreira e como chegou ao empreendedorismo?

Antes de concluir a graduação em Letras ingressei em uma empresa de tecnologia na qual atuava como professora. Um ano depois mudei de área e fui cuidar de produtos. Logo fui promovida para gerente de produtos. Ingressei no mestrado em TV Digital, depois fui convidada a assumir o marketing da empresa. Mas os rumos por lá mudaram e houve uma demissão em massa. Defendi o mestrado em fevereiro de 2015 e fiquei desempregada até julho. Voltei a conduzir o marketing em outra empresa de tecnologia, mas percebi que para não correr o risco de ficar a ver navios novamente se ocorresse outra demissão, passei a fazer cursos, ir a eventos, expandir meu networking. Usei o Linkedin como plataforma para muitos contatos e também para escrever artigos semanais sobre inovação, marketing, empreendedorismo e carreira. Menos de um ano depois de estar nesse cargo, precisei pedir demissão porque muitas demandas haviam aparecido por conta da presença ativa no Linkedin. Já dava aulas em universidades. A partir de abril de 2016 abri um CNPJ e comecei a atender clientes. A empresa na qual eu trabalhava se tornou um deles. Em julho de 2016 passei para o programa de Doutorado em Mídia e Tecnologia.

Quais são seus projetos/trabalhos atuais?

Hoje sou professora universitária e atuo em cursos de pós-graduação na USC e na ESPM, geralmente em temas envolvendo empreendedorismo, métodos ágeis, marketing e carreira. Tenho a Hubico.com.br focada em produzir conteúdos para marcas e implementar inbound marketing e a Content Review Brand Yourself, com mais uma amiga, focada em criar ou otimizar conteúdos para ajudar a alavancar a carreira de profissionais. Concilio tudo isso com o doutorado.

Flavia palestra durante o RD Summit, em Florianópolis. (Arquivo Pessoal)
Flavia palestra durante o RD Summit, em Florianópolis. (Arquivo Pessoal)

Quais foram/são os principais desafios na carreira “solo”?

Eu estudava e falava tanto sobre empreendedorismo, mas ainda não havia arriscado a realmente me libertar e ser uma empreendedora, algo que eu vinha construindo e queria muito. Nunca gostei de rotina ou de me sentir presa e me incomodava me dedicar 40h semanais a uma só empresa. Eu podia resolver as coisas em menos tempo e ter flexibilidade para fazer outras coisas como viajar, dar aulas e palestras e cursar as disciplinas do doutorado. Eu morria de medo de pedir demissão porque havia ficado desempregada seis meses antes e sabia como era difícil não ter dinheiro, mas fiz isso quando senti que tinha demandas para me sustentar ao menos. Finalmente comecei a empreender, desde dezembro trabalho do meu home-office. Eu poderia ter ido para um coworking, mas acaba não compensando com minha rotina variada e eu ainda economizo tempo sem precisar ficar escolhendo roupas, fazendo maquiagem e secando o cabelo ou dirigindo até um lugar. Tudo tem um lado bom e ruim. O bom é a flexibilidade, sempre que possível faço meus horários, não necessariamente o horário comercial. Também resolvo tudo de forma mais focada e produtiva, mantenho tudo organizado na agenda do Google para não esquecer de nada no dia a dia. Estar em home-office é difícil no sentido de estar sozinha a maioria do tempo, de de repente no meio do Skype o cachorro da vizinha latir, da internet cair e eu não ter um departamento de TI para me socorrer. Além disso, se eu não trabalho, não ganho. Preciso cuidar da minha saúde, então busco não me envolver em nada que me tire a paz ou signifique um estresse enorme apenas em nome de dinheiro. Também tenho tempo para malhar e até cozinhar um almoço mais saudável. Atuo bastante com parcerias com redatores, webdesigners, assessores de imprensa e desenvolvedores.

Você encontrou alguma dificuldade em sua carreira por conta de ser mulher?

Sim, mas não apenas por ser mulher em relação à postura de homens. Eu trabalhava em uma empresa de TI na qual muitos eram homens, mas também existiam muitas mulheres. A dificuldade que eu mais sentia, por mais estranho que pareça, era com outras mulheres. Porque eu gostava muito de me arrumar, estava sempre usando algum sapato legal e um vestido ou calça bacana e isso gerava competição, acredite! Com homens, o dia a dia ia mostrando o quanto eu era capaz e eu também não adotava postura de vítima, agia naturalmente como uma profissional fazendo seu melhor.

Como faz a gestão de seu tempo com tantos compromissos?

Priorizo e organizo na agenda. Foco em naquele dia cumprir o máximo de coisas que puder. Mas aprendi a dizer não para coisas que só tomam tempo ou trazem problemas.

Você também precisou de toda sua determinação para mudar completamente os hábitos alimentares, que resultaram na grande perda de peso. Pode contar um pouco sobre esta experiência e como ela agregou em sua vida?

Sempre fui gordinha na infância, sofria bullying na escola. Quando cresci e estava no ensino médio, passei a fazer aulas de ginástica em casa, eu gravava vídeos da Solange Frazão e fazia. Mas uns anos depois, já na faculdade, criei um site para ensinar idiomas gratuitamente e ficava muito no computador, abria a geladeira toda hora para comer. Nisso, fui engordando e cheguei a um nível de obesidade. Fui comprando roupas maiores cada vez mais, colesterol estava alto, a saúde e o ânimo péssimos. Eu comia muito e cheguei a comer 24 pedaços de pizza em um rodízio. Marquei um médico, ele foi me acompanhando, de forma saudável, malhando em academia baratinha e comendo frutas, legumes, verduras, ovos e carnes em seis meses perdi 24kg. Fui mantendo conforme os anos, depois ganhei uns poucos quilinhos a mais pela rotina corrida. Eu aprendi com essa experiência que o que importa é estar bem e se sentir feliz. Acima do peso eu não me sentia bem, tinha problemas de saúde por isso. Vi que eu era capaz de muita coisa e que foco e determinação te levam longe. Hoje não estou magrinha como fiquei naquela época, mas estou me cuidando. Faço crossfit de 3 a 5 por semana e tento comer saudável, costumo derrapar nos doces. Tento manter um equilíbrio entre me cuidar, mas também não ser neurótica com peso.

Você tem muito destaque no Linkedin, poderia contar sobre como esta plataforma pode agregar na carreira, como começou a usá-la e dar algumas dicas para outras profissionais que estejam em início de carreira?

Comecei a usar logo depois que me recoloquei no mercado, após seis meses desempregada. Escrevi alguns artigos que não tiveram nem 40 visualizações, mas persisti. Um dia escrevi sobre o que aprendi com minha primeira demissão e o artigo bombou, foi escolhido para destaque no LinkedIn. Recebi muitos feedbacks. A partir daí não parei de escrever e a rede foi crescendo. Os artigos mostravam minhas experiências e conhecimentos e trouxeram oportunidades e demandas. Cheguei a ir conhecer o escritório do Linkedin e pude palestrar em diversos eventos. Tive artigos que chegaram a 8 milhões de visualizações. Outro dia eu estava em SP para dar um treinamento e tinha uma noite livre. Um dia antes publiquei que se alguém cedesse espaço eu daria uma palestra gratuita contando minha história e dando dicas sobre LinkedIn. Rapidamente uma livraria ofereceu o espaço e naquela noite mais de 70 pessoas foram até lá, foi muito bacana, porque foi organizado tão rápido e deu certo. No final de 2016 o Linkedin divulgou a lista TOP VOICES, os brasileiros que mais se destacaram produzindo conteúdos no Linkedin. Eles escolheram 15, eu fiquei em quarto lugar. Foi muito bacana ver o poder dessa rede e da produção de conteúdos. Adoro escrever, eu diria que é uma das minhas melhores habilidades, porque acho que expresso bem o que sinto ou quero dizer quando escrevo.

 

Créditos texto: Carol Leme – Jornalista

 

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